No passado a Terra Sofreu Pico de Impactos de Meteoros
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No passado a Terra Sofreu Pico de Impactos de Meteoros

02/08/2025 Urbano Post 24 views 9 min de leitura

Desde o início da vida do nosso Sol, há cerca de 4,6 bilhões de anos, o sistema solar tem sido um lugar de colossais colisões. Imagine um imenso jogo de bilhar cósmico, onde cometas, meteoros e até mesmo planetas em formação se chocam uns contra os outros, deixando marcas profundas. A prova mais visível dessa violência silenciosa está nas crateras de impacto que cobrem a superfície de muitos corpos celestes, incluindo a nossa própria Terra e, de forma ainda mais clara, a Lua.

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Apesar de vermos essas rochas espaciais de diversos tamanhos e formatos em suas órbitas, um mistério persistia: será que a quantidade de impactos se manteve constante ao longo do tempo ou houve períodos de maior intensidade? A ciência moderna nos trouxe uma resposta surpreendente, graças à persistência de pesquisadores e ao uso de tecnologia de ponta. No passado a Terra sofreu pico de impactos de meteoros, uma revelação que pode mudar a nossa compreensão sobre a história do nosso planeta e, mais importante, sobre o que o futuro nos reserva.

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Um estudo recente, publicado na renomada revista Science, utilizou dados de uma sonda da NASA para desvendar essa questão. Os cientistas descobriram que, há aproximadamente 290 milhões de anos, a média de impactos na Lua – e, por consequência, na Terra – aumentou de forma drástica. O mais intrigante é que esse aumento de fúria cósmica pode não ter cessado completamente. Compreender esses eventos passados é crucial para a nossa sobrevivência. Afinal, um asteroide grande o suficiente para atravessar a atmosfera pode causar uma extinção em massa, como a que pôs fim à era dos dinossauros há 66 milhões de anos.

A Divisão de Defesa Planetária da NASA trabalha incansavelmente para monitorar esses objetos perigosos, mas a chave para uma proteção eficaz reside em entender a dinâmica desses bombardeios celestes ao longo do tempo. Quanto mais soubermos sobre a história de impactos do sistema solar, melhor poderemos nos preparar para o futuro.

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O Arquivo Secreto da Lua: Uma Testemunha Silenciosa

O Arquivo Secreto da Lua: Uma Testemunha Silenciosa
Uma ilustração mostrando a aparência da Lua durante uma teórica chuva de Meteoros no passado distante.

A Terra é um planeta dinâmico, sempre se renovando. Processos como a atividade das placas tectônicas, a erosão do vento e da água e as intempéries apagam gradualmente as cicatrizes de impactos antigos. Por isso, nosso registro de crateras é incompleto e tende a favorecer eventos mais recentes. É aqui que a nossa fiel vizinha, a Lua, entra em cena.

A Lua é um corpo celeste geologicamente inerte, sem atmosfera, vento ou água. Em outras palavras, ela é um arquivo geológico virgem que preserva quase todas as suas crateras ao longo de bilhões de anos. Como a Lua “é uma cápsula do tempo dos acontecimentos no nosso lado do sistema solar”, ela se torna a ferramenta perfeita para os cientistas preencherem as lacunas da história dos impactos em nosso planeta. Como disse a líder do estudo, Sara Mazrouei, “E é muito legal ter todos esses dados”.

No entanto, acessar essas informações não é uma tarefa simples. Como é inviável datar manualmente todas as crateras lunares, os cientistas precisaram de uma abordagem inovadora. Mazrouei e sua equipe encontraram uma maneira de mapear e datar as crateras mais recentes da Lua, com até 1 bilhão de anos, usando dados do Orbitador de Reconhecimento Lunar (LRO) da NASA.

A equipe partiu de uma observação crucial: as crateras mais jovens são repletas de detritos rochosos, enquanto as mais antigas são formadas por uma poeira fina. Essa diferença se deve à ação constante de micrometeoritos, pequenas explosões gasosas na superfície lunar e as variações extremas de temperatura entre o dia e a noite. Com o tempo, as rochas maiores se fragmentam, transformando-se em poeira lunar.

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A coautora do estudo, Rebecca Ghent, explorou essa particularidade. Ela utilizou o radiômetro térmico do LRO, chamado Diviner, que mede o calor que escapa da superfície lunar. Ghent descobriu uma “linda correlação” entre a quantidade de rochas, a capacidade de transmissão de calor e a idade da cratera. Isso permitiu à equipe datar crateras com mais de 10 km de diâmetro.

Com essa metodologia, Sara Mazrouei embarcou em uma tarefa monumental: mapear, à mão, as crateras lunares de 1 bilhão de anos atrás. O processo levou cinco anos, e ela confessou, com humor, ter questionado sua sanidade várias vezes. No entanto, o resultado preliminar era tão revelador que o cientista planetário Bill Bottke, um dos coautores do estudo, exclamou: “Algumas pessoas estão sentadas em cima de um pote de ouro e não sabem. E você está sentada bem em cima de um pote de ouro”. A equipe descobriu que, há 290 milhões de anos, a quantidade de objetos que atingiram a Lua era de duas a três vezes maior do que nos 710 milhões de anos anteriores.

O Complemento Terrestre: A Persistência de Gernon e os Tubos de Diamante

Apesar da forte evidência lunar, os cientistas sabiam que seria um desafio encontrar provas diretas na Terra. Afinal, a erosão e a geologia do nosso planeta apagam esses registros. Foi então que o coautor Thomas Gernon, professor de ciências da Terra, trouxe uma peça fundamental do quebra-cabeça: os kimberlitos.

Os kimberlitos são tubos vulcânicos, em formato de cenoura, que atuam como “arquivos de erosões primitivas”. Eles são encontrados em massas continentais muito antigas e estáveis e são conhecidos por terem transportado diamantes das profundezas da Terra para a superfície. “Os continentes são tipo almofadas alfineteiras furadas por milhares de kimberlitos”, explica Gernon.

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A equipe de Gernon descobriu que, em um período anterior aos últimos 650 milhões de anos, uma série de glaciações massivas, conhecidas como “Terra Bola-de-Neve”, raspou cerca de um terço da crosta terrestre. Isso eliminou o registro de impactos mais antigos. No entanto, nos últimos 650 milhões de anos, os kimberlitos sofreram pouca erosão, preservando um registro não enviesado de crateras.

Ao analisar esses registros terrestres, a equipe confirmou o que a Lua já havia revelado: o pico de impactos que atingiu a Lua há 290 milhões de anos também atingiu a Terra. “O modelo mais simples sugere que a taxa de impactos aumentou há 290 milhões de anos e continuou alta durante aquele período”, afirma Bottke. “Isso, podemos dizer com certeza”. A correspondência entre os registros lunares e terrestres é “um argumento muito forte a favor da veracidade desse achado”, como afirmou Paul Byrne, professor da Universidade Estadual da Carolina do Norte, que não participou do estudo.

O estudo também abriu novas portas para a pesquisa planetária. Em 2025, quando a nave BepiColombo, da Agência Espacial Europeia, chegar a Mercúrio, ela poderá usar a mesma instrumentação do LRO para datar as crateras desse planeta. “Poderemos analisar se também há alguma assinatura parecida em Mercúrio”, diz Mazrouei. “Isso seria incrível”.

A Origem do Pico: Uma Maré de Asteroides

A grande questão que resta é: o que causou esse aumento repentino no número de impactos? De acordo com Bottke, a maioria dos objetos que atingem a Terra vem do cinturão de asteroides. A teoria mais aceita é que uma ou mais colisões no cinturão fragmentaram corpos celestes maiores.

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Com o tempo, esses fragmentos são bombardeados pela luz solar, um processo físico conhecido como “efeito de Yarkovsky”. A radiação solar absorvida e reemitida funciona como um pequeno empurrão, alterando a trajetória dos fragmentos. No caso dos asteroides menores, esse empurrão pode ser suficiente para colocá-los na “rede gravitacional” dos planetas internos, como a Terra, com potencial de colisão.

Bottke explica que esse fenômeno é como “uma maré subindo”. “Há muito material que vem do cinturão de asteroides, e vez ou outra ocorre um pico no fluxo de impactos de asteroides na Terra, que diminui gradualmente com o tempo”. É possível que esse aumento tenha sido causado por múltiplas rupturas no cinturão de asteroides ou por um único evento catastrófico. As modelagens futuras ajudarão a responder essa questão.

Conclusão: O Passado e o Futuro

O estudo da Universidade de Toronto revelou que no passado a Terra sofreu pico de impactos de meteoros, e essa descoberta é de extrema importância. Ao entender a dinâmica desses eventos, a humanidade pode se preparar melhor para o futuro. A colaboração entre diferentes áreas da ciência – da geologia terrestre à astronomia lunar – demonstra a força da pesquisa integrada. A Lua, antes vista apenas como uma paisagem estéril, provou ser uma aliada inestimável na decifração do passado de nosso planeta. Os kimberlitos, fontes de diamantes, revelaram-se também como arquivos geológicos insubstituíveis.

A busca por respostas não para. Cientistas de todo o mundo continuam trabalhando para compreender a verdadeira natureza desses picos de impacto. Afinal, a história do nosso planeta é escrita por esses eventos celestes. Ao decifrar o passado, a ciência nos dá as ferramentas para garantir que o destino dos dinossauros não se repita.

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A vigilância da NASA e o trabalho de pesquisadores como Sara Mazrouei e Thomas Gernon nos mostram que, embora não possamos controlar as forças do universo, podemos estar preparados para elas. O futuro da humanidade pode depender de quão bem aprendemos as lições do passado cósmico.

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Fonte consultada: National Geographic

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