A ascensão do Bitcoin é uma das histórias mais fascinantes do mundo das finanças, mas um novo concorrente silencioso está ganhando força nos bastidores: a computação quântica. Longe de ser apenas uma ameaça à segurança da criptomoeda, essa tecnologia emergente está sendo vista por especialistas como a próxima grande aposta de investimento, com o potencial de ofuscar até mesmo os ganhos do próprio Bitcoin.
A previsão ousada vem de Charles Edwards, fundador da gestora de investimentos Capriole Investments. Para ele, as ações de empresas focadas em tecnologia quântica podem gerar retornos 50% maiores que o Bitcoin nos próximos 5 a 10 anos. Mas como isso é possível? A resposta está em dois fatores-chave: o mercado potencial e a valorização atual dessas empresas.
De Uma Ameaça a Uma Oportunidade Financeira
A primeira coisa que vem à mente quando se fala de computação quântica e Bitcoin é a “ameaça existencial”. Afinal, a capacidade de um computador quântico de quebrar a criptografia que protege a rede do Bitcoin é um cenário de pesadelo para muitos. Edwards, no entanto, sugere que essa mesma ameaça é um motor de uma oportunidade de investimento sem precedentes.
A lógica é simples, mas poderosa: se um computador quântico realmente se tornar uma realidade capaz de quebrar a criptografia do Bitcoin, o pânico no mercado de criptomoedas seria generalizado, resultando em uma queda maciça de preços. Simultaneamente, as ações das empresas que desenvolveram essa tecnologia de ponta disparariam, pois o mundo reconheceria seu valor estratégico e comercial. É uma dinâmica de “se um sobe, o outro desce”, que pode funcionar como uma espécie de “proteção” para o portfólio de investidores mais astutos.
“Se você possui uma quantidade significativa de Bitcoin, provavelmente é sábio ter alguma alocação em ações de QC como um hedge de portfólio caso um cenário catastrófico se concretize,” aconselha Edwards.
Em outras palavras, se o pior cenário acontecer para o Bitcoin, os ganhos com as ações de computação quântica poderiam compensar as perdas. No cenário mais otimista, no qual o Bitcoin encontra uma solução para se proteger da ameaça quântica, os investidores ainda se beneficiariam, já que as ações de tecnologia quântica, segundo Edwards, já estão superando o desempenho do Bitcoin.
Onde a Computação Quântica Encontra o “Momento ChatGPT”
A previsão de Edwards não é baseada em mera especulação, mas sim em uma análise detalhada do potencial de mercado. Ele compara a situação atual das empresas de computação quântica com a do Bitcoin em 2015, quando a criptomoeda ainda era vista como uma curiosidade tecnológica, mas tinha um potencial de crescimento colossal.
O setor de tecnologia quântica está pronto para um crescimento explosivo. Edwards projeta que as receitas do setor podem chegar a impressionantes US$ 2 trilhões nos próximos dez anos. Se as empresas de capital aberto nos Estados Unidos capturarem apenas 5% desse valor — uma fatia modesta quando comparada com o domínio de outras gigantes da tecnologia — o crescimento anual de suas ações seria superior ao do Bitcoin.
A analogia com o ChatGPT é fundamental para entender a perspectiva de Edwards. Antes do lançamento do ChatGPT, a Inteligência Artificial (IA) já existia, mas o valor real da tecnologia ainda não era totalmente visível para o público. O sucesso do ChatGPT, no entanto, funcionou como um catalisador, revelando o imenso potencial comercial da IA e acelerando o investimento no setor. Da mesma forma, Edwards acredita que a computação quântica está à beira de um “momento ChatGPT”.
“Diante da amplitude e profundidade dos setores que a tecnologia quântica moldará, desde a medicina até a IA, passando pela ciência dos materiais, finanças, comunicações e muito mais (essencialmente todos os setores), esperamos ver um momento do tipo ‘ChatGPT’ em algum momento nos próximos anos. O desbloqueio de valor real e decisivo acelerará a valorização dessa classe de ativos para a casa dos trilhões”, acredita Edwards.
O Relógio Não Para
O perigo da computação quântica para o Bitcoin não se limita apenas a um futuro distante. Edwards estima que, no pior cenário, a criptografia do Bitcoin poderá ser quebrada em apenas 3 a 6 anos. A urgência desse cronograma se deve ao ritmo acelerado dos avanços tecnológicos, especialmente em países como a China, que, segundo o executivo, “está gastando cinco vezes mais em QC do que os EUA e mantém suas pesquisas amplamente ocultas.”
A ameaça não está em não ter uma solução técnica, mas sim na velocidade de implementação dessa solução. Para que o Bitcoin se torne “à prova de quântica”, seria necessário que a vasta maioria de seus usuários migrasse seus ativos para novas carteiras.
Apesar de soluções como a desenvolvida pela Sui Research existirem, a implementação em uma rede do tamanho do Bitcoin não é trivial. Edwards faz uma estimativa, que pode assustar: “se todos decidissem mover seus Bitcoins para novas carteiras resistentes à computação quântica, o procedimento levaria 30 dias”, considerando que a rede processa apenas “dez transferências por segundo em um bom dia”. O executivo completa, dizendo que o processo total, incluindo testes e a necessidade de consenso da comunidade, poderia levar de 3 a 6 meses. Sua projeção mais otimista é de um prazo de 12 meses para mover toda a rede Bitcoin para um sistema mais seguro.
Para Edwards, a corrida contra o tempo já começou. E enquanto a comunidade cripto se preocupa em atualizar sua tecnologia, o mercado de investimentos pode estar se adiantando, apostando nas empresas que estão na vanguarda da revolução quântica. É um lembrete de que, no mundo das finanças e da tecnologia, estar preparado para a próxima onda é o que realmente separa os perdedores dos vencedores.





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