O silêncio depois do ato. O teto do quarto parece guardar mais pensamentos do que estrelas lá fora. Para muitas mulheres, esse é um momento familiar. Um sentimento de que algo não se encaixou, de que a conexão prometida não aconteceu. Uma sensação de vazio ou, pior, de desconforto. Se essa reflexão ressoa em você, saiba que a sua experiência é válida e, mais importante, você não está sozinha. A jornada para uma vida sexual plena e satisfatória muitas vezes é silenciosa, cheia de dúvidas e tabus que nos impedem de buscar respostas e, principalmente, de reivindicar nosso próprio prazer.
Entender a principal queixas das mulheres quando o assunto é sexo vai muito além de catalogar problemas; é sobre validar sentimentos, abrir um canal de comunicação honesto e iluminar caminhos para a redescoberta da intimidade. Este não é um texto com respostas mágicas, mas um convite para uma conversa. Uma conversa franca sobre o que acontece quando as luzes se apagam, sobre as preocupações que moram em nossa mente e sobre como podemos transformar a frustração em satisfação. É hora de quebrar o silêncio e falar abertamente sobre o que realmente importa para o nosso bem-estar físico e emocional.
A Principal Queixas das Mulheres Quando o Assunto é SEXO: Desvendando o Silêncio

A insatisfação sexual feminina é multidimensional. Ela raramente se resume a um único fator. É uma teia complexa que envolve corpo, mente, emoções e a dinâmica do relacionamento. Ao nomear essas queixas, damos o primeiro passo para compreendê-las e, consequentemente, solucioná-las. Vamos explorar as dificuldades mais comuns que chegam todos os dias aos consultórios ginecológicos e terapêuticos.
Dor Durante a Relação (Dispareunia): Não, Não é Normal Sentir Dor
Essa é talvez uma das mais importantes verdades a serem ditas: sexo não deve doer. A dor durante a penetração ou em qualquer momento da relação sexual tem um nome, dispareunia, e é um sinal de alerta do seu corpo. Ignorá-la pode agravar a causa e criar um ciclo vicioso de medo e aversão ao sexo.
- As Possíveis Causas: A dor pode ter origens diversas. A falta de lubrificação é uma das mais comuns, muitas vezes ligada à ausência de excitação suficiente ou a alterações hormonais, como as que ocorrem no pós-parto e na menopausa. Condições médicas como o vaginismo, que é a contração involuntária dos músculos pélvicos, a endometriose, infecções ginecológicas ou até mesmo alergias a produtos podem ser as responsáveis.
- O Que Fazer: O primeiro passo é a comunicação. Converse com seu parceiro ou parceira sobre a necessidade de mais preliminares e estímulos que te levem à excitação plena. O uso de um bom lubrificante à base de água pode fazer uma diferença imediata e imensa. Contudo, é fundamental procurar uma avaliação ginecológica para investigar a causa real da dor. Um profissional poderá diagnosticar e tratar qualquer condição subjacente, garantindo sua saúde e seu conforto.
A Queda da Libido: Onde Foi Parar o Meu Desejo?
A perda do desejo sexual é uma queixa extremamente frequente e frustrante. Muitas mulheres sentem-se culpadas, como se algo estivesse errado com elas ou com seu relacionamento. A verdade é que a libido feminina é flutuante e sensível a uma infinidade de fatores internos e externos.
- Os Ladrões de Desejo: A rotina estressante é uma das maiores inimigas da libido. O cansaço mental e físico acumulado no trabalho, com os filhos e as responsabilidades domésticas, deixa pouca ou nenhuma energia para a intimidade. Flutuações hormonais são outro fator central. A chegada da menopausa, o período pós-parto, o uso de alguns contraceptivos hormonais e certas condições de saúde podem derrubar os níveis de testosterona, hormônio também ligado ao desejo na mulher. Problemas no relacionamento, como brigas constantes e falta de conexão emocional, apagam a chama da paixão.
- Como Reacender a Chama: Olhe para sua vida de forma integral. Como está seu nível de estresse? Você tem tempo de qualidade para si mesma? Práticas como meditação, ioga ou simplesmente um hobby podem ajudar a gerenciar a ansiedade. No relacionamento, invistam em tempo de qualidade juntos, fora do quarto. Uma conversa, um jantar, um passeio. Reconectem-se emocionalmente. E, claro, converse com seu ginecologista. Uma avaliação hormonal pode ser necessária, e existem tratamentos e abordagens que podem ajudar a reequilibrar seu desejo.
Todas as pessoas possuem desejos internos gigantescos que se não forem ativados podem permanecer adormecidos por toda a existência. Neste livro, Dr. Dayan Siebra aprofundará esta fascinante rota de manutenção do equilíbrio corporal e da libido, desvendando nosso sistema celular básico, um mundo invisível que dirige nossos resultados em relação à nossa saúde, ações e sentimentos, tanto bons quanto maus, a cada momento de nossa vida. Nos mostrará também como dar mais atenção ao nosso corpo, às nossas intimidades, para que nos tornemos capazes de assumir o controle da nossa qualidade de vida.
A Dificuldade em Atingir o Orgasmo: Uma Jornada de Autoconhecimento
Muitas mulheres passam a vida inteira sem experimentar um orgasmo ou o fazem com muita dificuldade. Essa condição, chamada anorgasmia, gera angústia e a sensação de que o prazer máximo é inatingível. A pressão para performar e a falta de conhecimento sobre o próprio corpo são as principais barreiras.
O Mapa do Prazer: A anatomia do prazer feminino é única. A grande maioria das mulheres não atinge o orgasmo apenas com a penetração vaginal. O clitóris é o centro do prazer feminino, com milhares de terminações nervosas. A estimulação clitoriana direta e consistente é, para a maior parte das mulheres, o caminho para o orgasmo.
Exploração e Comunicação: O autoconhecimento é a chave. A masturbação é uma ferramenta poderosa para você entender o que te dá prazer, quais tipos de toque, velocidades e pressões funcionam para o seu corpo. Ao se conhecer, você ganha confiança para guiar seu parceiro ou parceira. A comunicação aqui é essencial. Mostre, fale, guie. Frases como “gosto quando você faz assim” ou “um pouco mais devagar” são mais eficazes do que esperar que o outro adivinhe. O orgasmo não deve ser uma meta ou uma linha de chegada, mas uma consequência de um momento de prazer, conexão e estímulo adequado.
Neste livro, Lowen explica que o mistério do amor está no ato sexual. Enfatizando a interação entre a personalidade e a função sexual, mostra que a satisfação no amor sexual pode ser alcançada pelo indivíduo que está em contato com seu corpo e com seus sentimentos.
Falta de Conexão Emocional e a Importância das Preliminares
Para muitas mulheres, o sexo começa muito antes do toque físico. Começa com uma troca de olhares, uma conversa interessante, um gesto de carinho durante o dia. Quando a conexão emocional está fraca, o corpo dificilmente responde ao chamado para a intimidade. O sexo se torna mecânico, uma obrigação.
- A Base de Tudo: A intimidade é construída no dia a dia, não apenas em momentos específicos. Se a comunicação é falha, se há ressentimentos não resolvidos ou se o casal vive como dois estranhos sob o mesmo teto, a cama refletirá essa distância.
- Expandindo o Conceito de Preliminares: As preliminares não são apenas os cinco minutos antes da penetração. Elas podem ser uma mensagem carinhosa durante a tarde, a divisão de tarefas em casa, um elogio sincero. No momento a dois, as preliminares são a oportunidade de explorar o corpo todo, de criar um clima de entrega e segurança. Beijos, toques, massagens e sexo oral são fundamentais para aumentar a excitação, a lubrificação e, principalmente, o sentimento de ser desejada e cuidada.
A Comunicação Como Ferramenta de Transformação

Falar sobre sexo ainda é um tabu para muitos casais. O medo de magoar o outro, a vergonha de expor as próprias vulnerabilidades ou a simples falta de hábito criam um muro de silêncio que alimenta a insatisfação. Quebrar esse muro é o passo mais corajoso e transformador que um casal pode dar.
Como Iniciar a Conversa com o Parceiro(a)?
Não é preciso esperar por um momento de crise. Escolha uma hora calma, sem distrações, onde ambos estejam relaxados. Não comece a conversa no quarto, logo após uma experiência frustrante. Um café no fim de tarde ou um momento no sofá podem ser ideais.
Use a Linguagem do “Eu”: Em vez de dizer “Você não faz…”, tente “Eu sinto…” ou “Eu gostaria de…”. Falar a partir dos seus sentimentos evita que o outro se sinta atacado e se coloque na defensiva. Seja específica, mas gentil. Por exemplo: “Eu sinto muita dor às vezes, e acho que precisamos ir com mais calma e talvez usar um lubrificante” é muito mais eficaz do que “Você me machuca”.
Seja uma Boa Ouvinte: Uma conversa é uma via de mão dupla. Esteja aberta para ouvir as percepções, os medos e os desejos do seu parceiro ou parceira também. O objetivo é encontrar uma solução juntos, como um time.
A Importância de se Conhecer Primeiro
Para comunicar o que você quer, você primeiro precisa saber o que quer. A jornada do prazer feminino é, antes de tudo, uma jornada interna.
Explore seu Corpo: Reserve um tempo para si mesma, sem pressões. Toque-se, use um espelho para conhecer sua genitália, entenda sua anatomia. Descubra seus pontos de prazer além do óbvio.
Explore sua Mente: O que te excita? Que fantasias ou cenários despertam seu desejo? Permitir-se explorar sua própria sexualidade mentalmente é tão importante quanto a exploração física. O maior órgão sexual é o cérebro.
O Papel da Saúde Geral na Vida Sexual
Sua vida sexual não existe em uma bolha. Ela é um reflexo direto da sua saúde geral, tanto física quanto mental. Tratar a saúde sexual é cuidar de você por inteiro.
Fatores Físicos que Impactam o Prazer
Condições crônicas como diabetes, hipertensão, problemas de tireoide e doenças cardíacas podem afetar a circulação sanguínea e a resposta nervosa, impactando a função sexual. Além disso, muitos medicamentos, incluindo alguns antidepressivos, anti-hipertensivos e pílulas anticoncepcionais, podem ter a diminuição da libido como efeito colateral. É crucial ter um diálogo transparente com seu médico sobre todos os aspectos da sua saúde.
A Saúde Mental como Pilar da Intimidade
A ansiedade e a depressão são grandes sabotadoras da vida sexual. A ansiedade pode criar um estado de alerta que impede o relaxamento necessário para a excitação. A depressão, por sua vez, pode minar o interesse em atividades que antes davam prazer, incluindo o sexo. Cuidar da sua saúde mental através de terapia, atividades relaxantes e, se necessário, tratamento médico, é um investimento direto na sua qualidade de vida e na sua satisfação íntima.
Este livro preenche uma lacuna importante da formação dos profissionais da saúde mental no campo da saúde sexual, no que tange a interface com outras áreas da saúde, como a infectologia, a medicina preventiva, a medicina legal.
Quando Procurar Ajuda Profissional?
Tentar resolver tudo sozinha ou apenas com o parceiro pode ser exaustivo e, em muitos casos, insuficiente. Buscar ajuda profissional não é um sinal de fracasso, mas sim de coragem e autocuidado.
- Ginecologista: É a sua primeira porta de entrada. Este profissional pode investigar e tratar causas físicas para a dor, a secura e as alterações de libido, além de orientar sobre contracepção e saúde hormonal.
- Fisioterapeuta Pélvico: Especializado nos músculos do assoalho pélvico, este profissional é fundamental no tratamento da dor na relação, do vaginismo e na melhora da consciência corporal e da função orgástica.
- Psicólogo ou Terapeuta Sexual: Se as questões são mais emocionais, de comunicação, relacionadas a traumas passados ou à dinâmica do casal, a terapia é o caminho mais indicado. Um terapeuta pode fornecer ferramentas para melhorar a comunicação, ressignificar crenças limitantes sobre sexo e reconstruir a intimidade.
Conclusão: Prazer e Conexão
As queixas sobre a vida sexual são um convite. Um convite para olhar para si mesmo, para cuidar do seu corpo e da sua mente. Um convite para se comunicar com mais honestidade e vulnerabilidade. E, acima de tudo, um convite para reivindicar o seu direito ao prazer.
Uma vida sexual satisfatória não é um destino final, mas uma jornada contínua de descobertas, ajustes e principalmente, de muita conversa. Cada mulher é única, e o que funciona para uma pode não funcionar para outra. O mais importante é se permitir explorar, pedir ajuda quando necessário e entender que sua satisfação importa. Ela não é um luxo, mas uma parte essencial do seu bem-estar e da sua felicidade. Você merece uma vida íntima que te traga alegria, conexão e plenitude com prazer.





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