Queda da Selic à Vista? Quais setores podem se beneficiar?
Finanças

Queda da Selic à Vista? Quais setores podem se beneficiar?

04/09/2025 Urbano Post 36 views 7 min de leitura

O que acontece quando o motor da economia brasileira, que vinha acelerando a todo vapor, começa a pisar no freio? A resposta é crucial para o seu bolso. Dados recentes do IBGE mostram que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu a um ritmo de 0,4% no segundo trimestre, uma desaceleração clara se comparada ao robusto avanço de 1,3% no primeiro. Por trás dessa freada, economistas veem a sombra dos juros altos, com a taxa Selic em 15% ao ano, seu nível mais elevado desde 2006.

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Mas, como em todo ciclo econômico, o que sobe, uma hora, precisa descer. E os primeiros sinais de que a Selic pode começar a cair já estão aparecendo. A inflação, que era uma preocupação constante, agora dá sinais de trégua. O IPCA-15, uma prévia do índice oficial, já registrou deflação em agosto, e as projeções do mercado para a inflação futura, divulgadas no relatório Focus, estão em queda contínua, semana após semana.

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Esse cenário de economia mais lenta e inflação sob controle está reacendendo uma discussão que parecia distante: quando a Selic começará a cair? Embora o Comitê de Política Monetária (Copom) ainda sinalize cautela, a expectativa é de que, em vez de novas altas, o próximo movimento seja de baixa. Alguns especialistas apostam em uma redução já no final de 2025, enquanto a maioria projeta o início do corte para o ano seguinte.

A certeza é que o mercado já está se adiantando. Segundo José Carlos de Souza Filho, professor da FIA Business School, “há expectativa de estabilização e queda da taxa básica de juros, sem sinais de que possa voltar a subir no curto prazo”. Essa percepção otimista já se reflete na chamada “curva futura de juros”. Como explica Thiago Calestine, economista e sócio da Dom Investimentos, a curva “ já tem cortes implícitos, apesar do juro à vista estar mais alto”.

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E o que tudo isso significa para você, investidor? Que a mudança de rumo da Selic pode alterar a dinâmica de dois universos de investimento: a renda fixa e a renda variável.

A Dinâmica dos Juros: Uma Dança entre Renda Fixa e Variável

Quando os juros começam a cair, o jogo de atração entre os investimentos se inverte. Os títulos de renda fixa, que antes ofereciam rendimentos suculentos, passam a pagar menos. É aí que a atenção do investidor, especialmente daqueles com um perfil mais arrojado, se volta para a Bolsa de Valores, em busca de oportunidades com potencial de retorno mais alto.

José Carlos de Souza Filho resume bem essa lógica: “A bolsa é um destino praticamente imediato na queda da taxa de juros. As pessoas começam a avaliar que vale mais a pena correr risco de ações do que permanecer em aplicações conservadoras”. Essa procura crescente, por sua vez, tende a impulsionar o preço das ações.

Além disso, a queda da Selic tem um efeito direto e benéfico para as empresas. O custo de capital – ou seja, o custo para elas pegarem dinheiro emprestado – diminui. Isso se traduz em melhores resultados financeiros e, consequentemente, em um aumento do valor de mercado das companhias. É um ciclo virtuoso: juros menores geram empresas mais lucrativas, que atraem mais investidores, o que valoriza ainda mais suas ações.

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Os Setores que Podem Brilhar com a Queda da Selic

Embora uma Selic em baixa possa ser um vento a favor para a Bolsa como um todo, alguns setores são mais sensíveis e tendem a se beneficiar de forma mais expressiva.

Imobiliário e Fundos Imobiliários (FIIs): Mais Casas e Mais Clientes

O setor imobiliário e os fundos imobiliários são frequentemente citados como os maiores beneficiados. A razão é simples: eles dependem fortemente de capital e financiamentos. “É um setor muito intensivo em capital, e grande parte da dívida é indexada à Selic”, lembra Calestine. Com os juros mais baixos, tanto as construtoras e incorporadoras quanto os FIIs se tornam mais atrativos. A redução das taxas de financiamento torna a compra de imóveis mais acessível para a população, o que aquece o mercado.

Segundo Souza Filho, “uma das áreas mais sensíveis é o crédito imobiliário. A redução da taxa dos financiamentos beneficia diretamente o setor e, junto com isso, melhora a condição dos fundos imobiliários”.

Varejo: O Consumo Financiado de Volta

O varejo é um dos primeiros a sentir o peso dos juros altos e, por isso, um dos que mais respiram aliviados com a queda deles. Empresas que vendem produtos de maior valor, como veículos, eletrodomésticos e eletrônicos, dependem do crédito ao consumidor para impulsionar as vendas. Juros mais baixos significam parcelas mais acessíveis, o que estimula o consumo. Como afirma Souza Filho, “o varejo é bastante dependente do crédito, e a redução da taxa impacta diretamente o consumo financiado”.

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Calestine adiciona um exemplo interessante: as empresas de aluguel de veículos. “São companhias que sempre precisam estar renovando frota, e para isso, precisam de financiamento”, explica. Com juros menores, o custo de renovação da frota diminui, beneficiando diretamente seus resultados.

Empresas Endividadas: Fôlego para Crescer

Aquelas companhias que carregam uma dívida considerável também sentem um alívio imediato. A queda da Selic reduz suas despesas financeiras, melhorando significativamente o balanço. Calestine cita empresas de commodities como siderúrgicas e petroquímicas, que se endividaram bastante nos últimos anos. “Essas companhias se beneficiam diretamente quando há corte ou sinalização de queda mais expressiva dos juros. É uma melhora imediata em uma linha muito específica do balanço”, pontua o economista.

Infraestrutura: Projetos de Longo Prazo Ganham Vida

Setores como energia, saneamento, transporte e logística, que exigem projetos de longo prazo e investimentos massivos, também se beneficiam. Juros altos tornam o financiamento desses projetos caros e arriscados. Com a Selic em queda, “a redução dos juros torna esses investimentos massivos mais viáveis e atrativos para investidores”, explica Souza Filho.

A Hora Certa de Agir: Oportunidade e Cautela

Apesar de todas as oportunidades, é crucial lembrar que o movimento de queda dos juros não é isento de riscos. Se a economia aquecer de forma muito rápida, a inflação pode voltar a subir. Além disso, a reação do câmbio pode ser um fator de atenção.

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A decisão de ajustar seu portfólio, no fim das contas, é uma jornada pessoal, que deve ser alinhada ao seu perfil de investidor. Para os mais agressivos, Calestine sugere esperar que a queda dos juros se concretize na “parte mais longa das curvas”, ou seja, que a expectativa de juros menores se firme no longo prazo. Para os conservadores, o ideal é aguardar cortes mais substanciais para sentir uma diferença real entre os retornos da renda fixa e da variável.

O economista ainda deixa um alerta fundamental: “Tomou a decisão com base na visão que o juro ia cair, mas a curva não acompanhou? É hora de reconhecer o erro e cortar a posição, porque no Brasil o custo de oportunidade de estar errado é muito alto”. É uma lição valiosa sobre a importância de monitorar o cenário e ter a flexibilidade para recalcular a rota, mesmo diante das melhores expectativas.

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Fonte consultada: B3 – Bora Investir

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